quinta-feira, setembro 16, 1999

Poema ao Pai

Despedacei a solidão,
Cessei o meu pranto inútil,
Procurei encarnar no genuíno vigor do silêncio
Tão enternecedor como fútil.

Parei
Porque o tempo presente
Fere devagar,
Dilacera,
Enquanto estás ausente.

Parei
Porque te perdi
E saiu força e vida de mim.

Parei
Para esboçar um novo rumo
E ladear meu iminente fim.

Sim,
Alanceei a solidão, Pai
Como punição,
Para vencê-la pela humilhação,
Para a executar
Devagar...
E te vingar!

Desempenho ainda com orgulho
O meu nobre dever de te defender,
Qual guardiã do teu clã
Das tuas proezas,
Qual protectora da tua ténue imagem
Sem defesas,
Passiva e emulada por toda a alma vã e aviltada.

Parei por um pouco
E não mais,
Para mostrar-lhes que a razão me conduz;
E com coragem e veleidade
Exponho a verdade
Estendendo-lhes luz.

Prossigo,
submissa ao Soberano Universal
de Quem aguardo o reencontro merecer.
De braço erguido,
sustentarei até o final
a justeza do teu nome que me recuso conter!


Ao meu Pai: José Fernando Ferreira Trindade
(falecido a 31-05-1994)
Carla Trindade Cardoso

2 comentários:

Cristina Pereira disse...

Amei, minha amiga.

Não deixes nunca de escrever e não te esqueças do que eu te disse...os outros tb merecem lêr aquilo que escreves. Vou ficar à espera do primeiro livro autografado pela autora.

Muitos beijos

Barton Fink disse...

Gostava que escrevesses um novo poema ao teu pai, gostava que lhe explicasses como o vês nesta fase da tua vida.