quarta-feira, abril 27, 2005

A minha avó morreu

E eu morri mais um pouco, hoje!

Avó

Ontem foi diagnosticado à minha avó, um tumor nos pulmões.
Tenho chorado imenso - que cobardia a minha - e nem consigo dormir.

Vejo-a tão fraca... e ainda nem começaram a fazer a quimioterapia.
Primeiro, terão de fazer um exame aos pulmões, com biópsia - Mais sofrimento avó.

Ela não falar, aborrece-me, porque sei que a deixa desgostosa.

Tenho de estar com ela. Tenho de ajudar.
Como quando ela estava ao meu lado, a fechar a minha mão dentro da dela, quando eu era uma criança.

quinta-feira, setembro 16, 1999

Poema ao Pai

Despedacei a solidão,
Cessei o meu pranto inútil,
Procurei encarnar no genuíno vigor do silêncio
Tão enternecedor como fútil.

Parei
Porque o tempo presente
Fere devagar,
Dilacera,
Enquanto estás ausente.

Parei
Porque te perdi
E saiu força e vida de mim.

Parei
Para esboçar um novo rumo
E ladear meu iminente fim.

Sim,
Alanceei a solidão, Pai
Como punição,
Para vencê-la pela humilhação,
Para a executar
Devagar...
E te vingar!

Desempenho ainda com orgulho
O meu nobre dever de te defender,
Qual guardiã do teu clã
Das tuas proezas,
Qual protectora da tua ténue imagem
Sem defesas,
Passiva e emulada por toda a alma vã e aviltada.

Parei por um pouco
E não mais,
Para mostrar-lhes que a razão me conduz;
E com coragem e veleidade
Exponho a verdade
Estendendo-lhes luz.

Prossigo,
submissa ao Soberano Universal
de Quem aguardo o reencontro merecer.
De braço erguido,
sustentarei até o final
a justeza do teu nome que me recuso conter!


Ao meu Pai: José Fernando Ferreira Trindade
(falecido a 31-05-1994)
Carla Trindade Cardoso

sábado, janeiro 09, 1993

Pensar... "uma tarefa que exige tempo para pensar" (Exercício para Filosofia)

Às vezes penso, que pensar o que eu penso, não se devia pensar.
Se todos pensarem o que eu penso, não pensam em mais nada senão pensar.
E normalmente, é melhor não pensar, do que pensar. Porque pensar um pensamento, não é pensar, é estar pensativo.
Ainda há pensativos que não pensam.
Somos também capazes de pensar no que já pensámos, quando repensamos.
Aquilo que agora penso, é que pensar o que eu penso, é o que todos pensam que estou a pensar.
Pensar é pensarmos no que pensaríamos se todos pensassem que pensamos o que todos pensam.
Neste caso, ninguém pensa no pensamento, só pensam no que pensaram antes de pensar no pensamento e já não pensam, já foi pensado.
Eu quero pensar muito.
E vou fazer que as minhas mãos percorram o pensamento e o moldem para me sentir pensadora.
E os meus braços ajudam-me a pensar.